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Dados do Arquivo
Título:
Criação de Personagem passo-a-passo
Descrição:
Autor guia o leitor passo-a-passo na criação de um personagem, dando dicas
de como obter um PC com um bom histórico e com personalidade.
Autor:	
Jr.
Código:
MK180504012

 

Para criação de PC, um excelente referencial são personagens clássicos do cinema, teatro e literatura. Evidente que não devemos literalmente copiar Sir. Lancelot quando criamos um paladino, seria o cúmulo da falta de originalidade, e acabaria por originar um problema distinto, mas não menos grave do que os acima apresentados, o de personagens clonados, algo deveras desagradável se não for proposital e muito bem conduzido tanto pelo jogador quanto pelo mestre.

Quando me refiro a arquétipos, me refiro a linhas mais gerais de motivação. Suponhamos que eu queira criar um personagem ladino. Algumas referências evidentemente me vem a mente, como Bilbo Baggins; Ali Babá, tirado da literatura; o lendário Robin Hood; o personagem Filipe Gaston do filme O Feitiço de Áquila; entre outros. Suponhamos que eu ache interessantíssimo o dilema moral vivido por Gaston e por Baggins. Não há nada de errado em aproveitar isso. Mas suponhamos que eu queira acrescentar uma motivação diferente ao ladino, como a que tem Robin Hood.

Pronto, já tenho um ladrão consciente de que roubar é errado, mas que tem uma motivação específica pra fazê-lo. Personagens são levados a condições adversas por inúmeros motivos, e conhecer um pouco do nosso universo simbólico e somar a isso um pouco de criatividade é um prato feito pra criar um bom personagem.

Prossigamos na criação desse personagem: Ele pode, qual Robin Hood, ter sido no passado um homem de posses, mas circunstâncias o levaram a vida de pobreza e ao roubo por necessidade. Mas não precisam ser os mesmos motivos de Robin de Locksley. Então que tal pensar em algum incidente que separou o personagem dos pais quando ainda era criança? Um naufrágio? Um atentado? Um crime? Simplesmente se perderam? As possibilidades são inúmeras, mas sem desequilibrar em nada a ficha do personagem, o jogador já deu aí um mote formidável para o mestre trabalhar em aventuras futuramente (quem sabe o personagem não trabalha hoje, mesmo sem saber, para o bandido que matou os pais dele?).

Prosseguindo, o personagem foi largado criança na rua. Mas e aí, como se tornou ladino? Pensemos em algumas possibilidades e encontraremos inúmeras alternativas, como o roubo pela necessidade de sobreviver instintiva, o apadrinhamento por algum chefe de guilda (se o mestre permitir, claro), ou apenas uma condição de bandido imputada ao personagem mesmo que indevidamente e que forçou o mesmo a fugir pro submundo.

Já temos aí um personagem com histórico, mas ainda falta uma coisa, não? Muitos jogadores, atentos demais a números e regras, esquecem que o personagem tem não só uma história como também características de personalidade que tornam ele diferente de um PC genérico.

Continuemos com o ladrão: Ele tem esse passado, que foi construído pra ele, e já sabemos, desde o começo, que ele rouba, mas tem consciência de que isso é errado. Então, já podemos pensar em uma tendência pra ele, não? No sistema D&D com certeza, ordeiro ele não é, mas mal também não parece ser. Então vejamos, que tal um caótico bom, como base, só como um ponto de partida? O personagem abdicou de seguir as regras e conveniências, mas nem por isso o faz por maldade ou vontade. Ele seria um personagem em conflito, e isso por si já abre mais algumas possibilidades. Ele pode ter o maneirismo de falar muito sozinho se questionando, pode ter alguma aspiração romântica e ter um profundo vínculo de gratidão para com alguém. Pode também querer deixar de ser ladrão e se tornar um guerreiro, um herói, como se lembra vagamente que seu pai era. Pode ser desconfiado e ao mesmo tempo se fingir de sonso e dificilmente abrir espaço pra conversas e intimidade com os outros, pois a vida o fez desconfiado.

Pronto, agora sim já temos um personagem prontinho pra iniciar uma campanha de RPG, e se pensarem bem, nem precisa ser ambientada num cenário medieval fantástico. Por quê? Porque se baseou apenas na busca por referenciais genéricos de construção de personagem, e a partir deles se criou algo novo e único, muito mais interessante e certamente passível de exploração da parte de um mestre do que um mero personagem de quem só se sabe ter um 18 na força (no caso de um D&D) ou um 12 no Porte (em uma ficha de SDA).

Eu usei o ladrão apenas a título de ilustração, mas é possível fazer qualquer personagem, usando essas dicas. Teatro, cinema, legendariun, literatura (a começar por Tolkien!), televisão, e por aí vai estão aí como um cardápio formidável pra que os jogadores criem seus personagens qual pratos combinados.

Sobretudo o teatro, possui arquétipos de personalidade inclusive já estudados no decorrer dos séculos. O herói idealista, o anti-herói, o vilão em conflito, o tirano, e outros.

Garanto que desenvolvendo personagens mais interessantes, não só o mestre terá muito mais material pra dar continuidade a uma saga, como o próprio jogador vai ter um apreço muito maior por seu PC, e pensará duas vezes antes de fazer bobagem com ele. Experimentem e vejam.

CARPG
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